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Liverdade & Articulando – Projetos 2026

Evento do Colégio Friburgo - Exposição dos projetos - resultados de estudos e pesquisas elaborados durante todo o ano, em cada uma das séries.

Liverdade & Articulando – Projetos 2026
Enviado em 27/10/2026

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“Livros, Livros, Livros e mais livros livres que ensinem a pensar e a viver”

Décio Bitencourt

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Quem lê o mundo de muitos lugares aprende a ser livre

Há palavras que nascem de um encontro. Liverdade é uma delas: livro, verdade e liberdade dividindo as mesmas letras, como se o idioma já soubesse o que a escola leva anos para demonstrar. Quem abre um livro encontra a verdade em mais de uma versão, e quem conhece mais de uma versão ganha o direito de escolher. A liberdade começa na página aberta.

A Liverdade já é tradição do Colégio Friburgo e acontece ano sim, ano não. No sábado, 17 de outubro, a edição de 2026 transformou essa ideia em endereço. Salas viraram aldeia, teatro, redação de telejornal, quilombo, república de partidos, galeria de gravuras. Os visitantes caminharam por corredores onde cada porta abria para um pedaço do mundo, e quem estava na porta, explicando, contando, cantando, eram crianças e jovens. É difícil pensar numa definição de educação mais exata do que essa.

Ler é aprender a escolher

Educar é ensinar a ler. Ler texto, claro, mas também território, tempo, música, imagem, silêncio e o outro. A escola que cumpre esse papel não entrega respostas prontas, mas instrumentos para que cada estudante chegue às próprias conclusões, e entrega também a coragem de revê-las. Por isso a Liverdade tem como tradição abrir as portas para mostrar o que aprendeu a ler e convidar a comunidade a aprender junto.

Só é livre quem lê de muitos lugares. Uma pessoa que conhece o Brasil apenas pelo mapa oficial lê um país pela metade. A que conhece também o quilombo, a aldeia, a senzala que se disfarça de século XXI, o samba, o repente, a estampa africana e a canção yawanawá lê o país inteiro, e consegue se reconhecer nele. Foi esse percurso que as turmas fizeram, de ponta a ponta, do 1º ano do Fundamental ao Ensino Médio, do Colégio Parâmetros à alfabetização de adultos.

Começar pequeno é começar grande

O 1º ano foi investigar insetos e saiu de lá escrevendo textos informativos como pequenos cientistas, em diálogo com a obra de Regina Silveira, professora emérita da Escola de Comunicações e Artes da USP e arte-educadora brasileira. Ciência, língua e arte numa mesma lupa.
O 2º ano foi ler contos de encantamento e inventou os próprios personagens, com direito a descrições escritas por cada criança. O 3º ano teve três frentes: poemas individuais e coletivos, em que verso, estrofe e rima viraram brinquedo; uma aula de música que atravessou séculos e continentes para chegar ao canto Xoxô Parantê, do povo Yawanawá, interpretado em coro no teatro; e desenhos, carimbos e maquetes inspirados na escultura em madeira dos Guarani.

No 4º ano, a pergunta foi “quem sou eu?”, e a resposta veio em forma de memória, família e origem, ensinando que toda história singular carrega muitas culturas. Veio também a gravura, da monotipia à xilogravura, com matrizes de couro que lembram o Nordeste, e veio Luiz Gonzaga, com o sertão inteiro cabendo na voz de uma turma cantando Asa Branca. No 5º ano, a cultura negra foi tratada como uma das raízes do Brasil. Os estudantes escreveram um Manual Antirracista, e a matemática ganhou jogos de origem africana, provando que raciocínio lógico também pode ter ancestralidade e festa.

O mundo cabe numa sala quando há curiosidade

No Fundamental II, o pátio virou a exposição do concurso internacional de artes visuais, com o tema da festa como laço entre as pessoas. Retratar a alegria é coisa séria: ela também é conhecimento e o pão nosso de cada dia; está no manifesto do Friburgo! O 6º ano fez a pergunta que dá título ao seu trabalho, ¿Qué significa ser latinoamericano?, e respondeu com música, história e ciência, em apresentações ao longo da manhã, em espanhol. O 7º ano investigou o racismo ambiental com uma maquete interativa, entrevistas e registros do Estudo do Meio no Quilombo do Cafundó, e mostrou que vulnerabilidade e privilégio têm endereço.

O 8º ano montou um telejornal, o “Vozes da Floresta”, e levou o visitante até uma oca construída pelos próprios estudantes, onde línguas originárias, preservação ambiental e saberes ancestrais viraram experiência. O 9º ano guiou o público por seis países das Américas, de reggae a pop, e mostrou como muros políticos esbarram na força da identidade latina. A outra turma do 9º ano apresentou a primeira edição da Revista, fruto do Ciclo Autoral que começou lá no 6º ano: pesquisa, argumento, ABNT, autoria assinada. Cada artigo ali é a prova de que adolescente escreve muito bem quando alguém leva a sério o que ele tem a dizer.

Pensar o trabalho, o poder e o tempo

No Ensino Médio, os temas ganharam a densidade de quem já sabe fazer perguntas difíceis. O 1º ano mostrou os sons da resistência: a herança africana que mora na música brasileira, no jeito de falar, no cotidiano, e a história do preconceito que tentou apagá-la. O 2º ano desmontou palavras que usamos sem pensar, como voluntário, comunitário, funcionário e colaborador, e perguntou o que cada uma esconde ou revela sobre o mundo do trabalho. O 3º ano, citando Sartre, lembrou que os dados estão lançados e que cabe a cada um jogar. Transformou o colégio numa nação simbólica, com partidos, candidaturas e planos de governo para problemas reais, e quem passou por lá aprendeu o que nenhuma prova ensina: política se faz com proposta, escuta e responsabilidade. Teve até votação, numa sala montada como a de uma eleição de verdade, com cabine, e quem passava por ali votava de fato.

O Ensino Médio Noturno do Colégio Parâmetros trouxe duas das experiências muito especiais. O 1º ano leu a geometria e a simetria das estampas africanas pela etnomatemática, e padrões viraram caminho para a ancestralidade. O 2º ano construiu um espaço imersivo sobre racismo ambiental e sobre a Casa Grande e a Senzala do nosso tempo, para que o visitante saísse com a pergunta cravada na pele.

Mulheres que também escrevem história

Na Educação de Adultos, o projeto Mulheres extraordinárias aproxima grandes nomes da ciência, da saúde, da cultura e das transformações sociais da trajetória de cada aluna da alfabetização. A mensagem é simples, mas muito poderosa: quem aprende a ler aos quarenta, cinquenta, sessenta anos escreve uma das histórias mais admiráveis que uma escola pode testemunhar.
A homenageada do projeto foi dona Iracy. Ela está no Friburgo desde a fundação e cuida dos projetos sociais do colégio, aqueles que levam a escola para além da sala de aula e fazem do cuidado com o outro uma rotina. Mulher espetacular, que sustenta com generosidade iniciativas que mudam a vida de muita gente.

Uma educação que ensina a ler o mundo também ensina a reconhecer quem o transforma bem de perto. Dona Iracy é uma dessas pessoas, e o Friburgo a tem desde o começo.

E o mundo, depois

O olhar também foi para o horizonte. O projeto Magic apresentou o intercâmbio de 2027, com duas semanas em Winchester, na Inglaterra, e uma semana na França, e lembrou que o mundo também é uma sala de aula. A aventura internacional só rende de verdade para quem aprendeu, antes, a ler o próprio território com profundidade. Quem viu a Liverdade sabe que os estudantes do Friburgo vão embarcar com repertório.

Quem faz a Liverdade acontecer

Por trás de cada sala, professoras e professores que decidiram que ensinar é abrir janelas e trabalharam juntos, de uma disciplina à outra, interdisciplinarmente, para que a pesquisa virasse experiência. Ao lado deles, a equipe de apoio, a C.A., a coordenação e a direção, que cuidaram dos bastidores e deram sustentação a tantos projetos num mesmo dia.

Quem aprende a ler o mundo de muitos lugares aprende a escolher, e escolher é ser livre. A verdade se constrói, e a liberdade se conquista, entre pessoas que leem, escrevem, cantam, pesquisam e escutam umas às outras. O Colégio Friburgo fez isso durante o ano inteiro e deixou o resultado aberto à visitação.

Livros, verdade e liberdade. Que a próxima Liverdade chegue com as portas abertas e nos encontre ainda mais livres.

Veja aqui algumas publicações dos alunos: Pequeno Manual Antirracista – 5ºEF / A Natureza da Escrita – 9ºEF

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