Alunos do Ensino Médio do Colégio Friburgo defendem o meio ambiente com a mão na terra crua: produziram tijolos, levantaram um banco e refletiram sobre a importância das ações para a preservação do planeta.

No Friburgo, o Meio Ambiente não é celebrado em um dia ou em um mês somente. Está no do dia a dia da escola e faz com que os alunos coloquem a mão na massa. Ou melhor, no barro. Foi dessa forma que, neste primeiro semestre, os alunos do 1º ano do Ensino Médio fabricaram tijolos de adobe e com eles construíram um banco sustentável em um dos pátios do colégio.

A atividade foi desenvolvida nas disciplinas de Biologia, Matemática, História e Química por meio do Itinerário Sustentabilidade, uma das novas trilhas de conhecimento adotadas pelo colégio após a reforma do Ensino Médio e que procura, de modo inovador e desafiador, não apenas preparar o aluno para exames e vestibulares, mas para fazer a diferença em sua vida.

“Trabalhamos os três pilares: ambiental, social e econômico para conscientizar sobre a importância da sustentabilidade; para promover novos hábitos no cotidiano, assumindo a responsabilidade pela preservação do planeta; avaliando o impacto das atividades humanas no ambiente; e claro, apontando rumos para resolver problemas.”
Ana Maria Alegretti, professora de Biologia e Coordenadora do Itinerário Sustentabilidade

Técnica milenar

Dentro dessa proposta, o primeiro tema a ser desenvolvido foi o da Bioarquitetura. Os alunos foram chamados a imitar civilizações milenares, como as da Mesopotâmia, do Egito e do Vale do Indo, e trabalhar com adobe, a terra crua. Com apoio da bioarquiteta Luiza Meira do Prado, eles passaram por uma capacitação e em seguida de uma oficina, produzindo cerca de 30 tijolos.

Antecedente histórico do tijolo de barro cozido, o adobe é um elemento altamente sustentável e reutilizável, podendo ser triturado e umedecido para voltar ao estado original. Sua produção não necessita de grande quantidade de energia e é um excelente isolante térmico, mantendo as temperaturas dos ambientes sempre balanceadas. Construções de adobe ainda tem a vantagem de poderem absorver até 30 vezes mais umidade que as de tijolos cozidos.

Para comprovar tudo isso, após secarem ao sol, os estudantes realizaram testes de resistência, afastando do solo, realizando tratamentos de impermeabilização, conversando e planejando sobre possibilidades de construção. Finalmente e de forma coletiva, subiram a base e finalizaram a construção do banco.

“A ideia não foi somente de capacitá-los tecnicamente, mas de inspirá-los. A bioarquitetura considera a utilização de materiais naturais e sistemas autossustentáveis que necessitam de manutenção, mas a longo prazo, devolvem autonomia, eficiência, economia e alimentam os ciclos naturais de geração de água, energia e alimentos. O material local minimiza o impacto ambiental e preserva toda a natureza ao redor, integrando a construção ao meio ambiente.”
Luiza Meira do Prado, bioarquiteta

Os sorrisos e comemorações em meio às fotos junto ao novo mobiliário mostravam o impacto que a atividade teve sobre os alunos. Muitos nunca tinham experimentado uma vivência como aquela. Alguns, mais empolgados, já faziam até planos para construir algo do tipo em casa.

Agora, enquanto se preparam para a próxima etapa, na qual produzirão tinta ecológica à base de terra e com a qual elaborarão trabalhos e painéis, eles sabem que toda a escola poderá usar o banco. Apesar de simples e pequeno, aprender sobre esse tipo de construção pode ser um passo decisivo para debater formas de evitar tragédias como as recentemente vistas no Rio Grande do Sul.